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Entrevistamos Cesar Benzoni ícone da nova geração country

09 jul

O Universo Country tem o grande prazer de entrevistar um dos grandes representantes da música country e Bluegrass no Brasil, Cesar Benzoni. Nesta entrevista você vai ficar sabendo porque Cesar Benzoni se tornou referencia quando o assunto é Bluegrass e country music. Conheça um pouco a história desse grande artista da nossa  música brasileira, em entrevista exclusiva:

UCB – Em sua biografia você diz que ganhou seu primeiro instrumento aos 13 anos, nessa época você já curtia algum estilo musical? Qual?

CB – Isso mesmo, ganhei de meu pai minha primeira guitarra, já que antes eu roubava o violão dele (o que não adiantou muito, já que até hoje eu ainda roubo o violão dele..risos). Desde a infancia minha vida sempre foi movida a música. Eu sempre cantei muito, sempre ouvi música sem ter preconceitos. Nessa epoca, sem duvidas minhas maiores influencias eram os Beatles, Creedence Clearwater Revival e a banda Kiss.

UCB – Sua influência musical é muito rica, country music, classic rock, blues e o jazz, seu talento foi moldado por esses estilos?
CB- Cada um desses estilos eu fui descobrindo em consequencia do outro. É dificil falar da o rock’n roll sem falar de suas bases, que são justamente o blues, o jazz e a country music. Quando começo a gostar de uma coisa (um estilo musical, um instrumento, uma historia) gosto de ir a fundo e ter a maior quantidade de informação possivel sobre isso. Foto tirada com o astro Aaron Watson em uma de suas viagens aos EUA.
UCB – Fale um pouco sobre essa paixão pelo mandolin (bandolim), explique um pouco para a galera que instrumento é esse?
CB – Quando eu estava com meus 15 ou 16 anos, ja amante de musica country, resolvi que queria tocar violino. Comprei um mas não me dei muito bem, é dificil lidar com o arco. Só aprendi a tocar Dixieland Delight.. “risos”..  Aí ele ficou encostado e, de vez em quando, eu o tocava com palheta. Depois de um tempo, quando eu ja integrava a saudosa BlackSmith, eu voltei a palhetar o violino. Assistindo a videos de musica country, eu sempre me atentava no mandolin e pensava “o que será isso? que instrumento bonito! Que som legal!”. Fui atras de saber o que era e vi que ele tinha a mesma afinação do violino (GDAE) e era tocado com palheta! Aí encontrei um mandolin bem ruim em promoção numa loja e comprei. Estava feito, me apaixonei completamente e, com o tempo e o conhecimento, transformei esse bandolim que era ruim em um bom instrumento.
UCB – Como é essa técnica que você desenvolveu sobre o bandolim?
CB – Não posso dizer que desenvolvi uma técnica, mas me influenciei pelos varios estilos de música que o bandolim pode estar. O chorinho brasileiro, a música italiana, a música irlandesa, o bluegrass e a folk music. Cada um tem sua linguagem e sonoridade diferente e eu, como disse no começo, gosto de ir a fundo, então nesses 5 anos que tenho de bandolim, pesquiso bastante sobre a historia dele, sobre os estilos, formatos, timbres, técnicas, etc. Hoje tenho 4 bandolins, cada um com sua sonoridade específica.
UCB - Bill Monroe, Sam Bush, Chris Thile, Mike Marshal, fale um pouco desses caras ai?
CB – Essa é uma boa questão. O bandolinista Bill Monroe foi simplesmente o pai do bluegrass. Se o bluegrass tem esse nome e o formato que conhecemos, foi devido a ele.
Sam Bush é um dos principais responsaveis pelo desenvolvimento do estilo, aparecendo nos anos 70 com o bluegrass progressivo na banda New Grass Revival.
Chris Thile é um animal..rs. Pra mim, o melhor bandolinista da atualidade, com técnica em todos os estilos e um timbre e uma velocidade digna de inveja, inveja boa.
Mike Marshall é outro eximio bandlinista e com uma fantastica didática para aula. Para mim, os melhores metodos de estudo de bandolim são os dele. Tive o prazer de conhece-lo quando veio em 2010 se apresentar na Virada Cultural em São Paulo ao lado de Danilo Brito.
UCB –  Você é o único brasileiro a concluir o curso Annual Monroe Style Mandolin Camp, promovido pelo Museu Internacional de Bluegrass (International Bluegrass Museum – Owensboro, KY), como foi isso para você?
CB – Foi uma realização imensa. Não pelo fato de ser o unico brasileiro a tal, mas por ter participado desse curso. Trata-se de uma ideia de acampamento. O museu internacional de bluegrass se torna noso acampamento. São 3 dias que você mergulha a fundo em tudo que Bill Monroe foi. No seu estilo interpretativo, na sua história, nas suas influencias. Conheci e tive aula com gente muito legal e gente muito importante como os bandolinistas Mike Compton, David Harvey, Dr. Brown, Skip Gorman, a diretora Gabrielle Gray e a lenda do bluegrass Bobby Osborne. Não nesse curso, mas em minha viagem pude conhecer tambem um dos principais diretores da IBMA (International Bluegrass Music Association) Dan Hays.
UCB – Em um gesto ousado você  disponibiliza gratuitamente video-aulas de bandolim no estilo bluegrass em português  no You Tube, como surgiu essa ideia?
CB- Essa ideia surgiu quando eu estava descobrindo muitas coisas legais nos Estados Unidos. Eu pensava “eu não tive acesso a esse tipo de coisa quando começei a estudar”. Se eu não soubesse inglês, teria sido pior e pensei que mais pessoas também poderiam encontras as mesmas dificuldades. Daí resolvi colocar aulas em português no youtube, dando dicas, ensinando temas, etc. Como eu mesmo digo no meu site, “Facilitar o acesso à esse material é a melhor forma de trazer o bluegrass e o country para o gosto e o interesse popular”. Temos que propagar esse tipo de informação e não apenas guarda-las para nós e reclamarmos que o country no brasil não vai pra frente.
CMB – Como é seu trabalho junto a banda Motorgrass e o espetáculo AíPod? Fale-nos um pouco.CB – Motorgrass é uma banda de bluegrass recém-formada com musicos que tambem são apaixonados pelo estilo. Eu, Luiz Panini, Edson Moreira e Ricardo Ramos, alem de shows, pensamos também em fazer palestras, workshops, e artigos sobre o estilo. Não só tocar por tocar. Se você entrar em www.motorgrass.com.br , vai encontrar muitas informações historicas sobre o bluegrass e vídeos que ilustram tudo o que é falado.
No espetaculo AíPod, também me junto com Luiz Panini e mais quatro exelentes musicos para misturar música com comédia. Tratasse de uma peça de teatro em formato de programa de rádio onde as músicas são executadas ao vivo. Os apresentadores atrapalhados Rita Londres e Paulinho Correia fazem a plateia deitar de rir. Estivemos em cartaz em fevereiro no teatro Nair Belo e voltaremos em agosto ao teatro Grande Otelo, em São Paulo.
UCB – Como você chegou a banda Radical Chick?
CB – Conheci o pessoal da Radical Chick pelo falecido Orkut..rs Eles entraram em contato comigo para fazer a gravação de bandolim em uma faixa do cd deles.Confira a música:


Depois da faixa gravada comentei com eles que, só com a adição do bandolim, a música que era um pop rock, já estava com uma pitada de country. Aí comecei a conversar mais com o vocalita Rogerio Censi sobre desenvolver melhor um projeto de pop-country.

UCB – Fale pouco sobre a Radical Chick, seus planos, country music...
CB – Desde então, me juntei ao pessoal da Radical para “countryficar” a banda. Nossa ideia é trazer o mesmo pop country que rola com sucesso nos Estados Unidos (como Rascal Flatts, Keith Urban, Brad Paisley, Eli Young Band, Darius Rucker e entre muitos outros) para o brasil com letras modernas e atuais em portugues. A levada do pop rock com o tempero e a instrumentação do country. Lançamos a musica “Dose de Veneno” no começo deste ano e em muito breve lançaremos um clip e mais algumas músicas, vale a pena conhecer.
UCB – Nos fale um pouco sobre o site que administra São Paulo Bluegrass Music Association?
CB – Passei a administrar a SPBMA a pouco tempo, infelizmente. Digo infelizmente pois em Abril perdemos o nosso mentor do bluegrass no Brasil, Erio Meili, que administrava e presidia a associação. Em conversa com sua familia e alguns amigos, percebi que seria capaz de levar em diante o legado deixado por ele e seguir levando a bandeira do Bluegrass no Brasil, levando informações, curiosidades, divulgando as bandas brasileiras e fazendo com que mais e mais pessoas venham a conhecer e procurar sobre esse estilo maravilhoso. Nosso site www.bluegrass.com.br ainda não está no ar mas já estamos de volta pelo facebook, podem curtir a gente la que todo dia tem coisa legal!
UCB – 5 Anos na lendária banda, orgulhosamente brasileira BlackSmith, o que significou fazer parte dessa fabulosa banda?
CB – A BlackSmithfoi minha principal escola de música né… Em 5 anos de atuação, fizemos história na country music brasileira, carregando um CD maravilhoso com 11 faixas inéditas em inglês e elogiado inclusive no exterior.  Infelizmente, nada é eterno e, quando as ideias ja não estavam mais batendo, a melhor solução foi acabar. Acabar, mas felizmente deixando história. Não me arrependo de nada feito na época da “Black” e orgulho muito de ter feito parte e dividido o palco com as pessoas que que conheci na banda.
UCB – Muitos fãs querem a banda de volta, o que você acha disso?? Um dia volta?? Quem sabe em versão “Unplugged”.
CB- Mais um motivo pra eu me orgulhar, porque se as pessoas pedem, é porque foi bom. Foi feito com qualidade e com amor. Como diz um tio meu, o passado é muito bom para relembrar, mas não necessariamente para reviver… Eu acho dificil uma volta ativa da banda, mas um revival sempre é possivel e seria um prazer fazer uma apresentação de reencontro com essa galera! Fica o convite..rs

Agradeço imensamente ao Universo Country por essa entrevista e pelo espaço! A country music pode sim ter seu espaço no Brasil se cada um que é apaixonado como eu, contribuir para o conhecimento geral, assim como o Jair (é colunista do blog Universo Country Brasil) está contribuindo fortemente com o site Universo Country.

Cesar Benzoni

Eu em nome do site Universo Country Brasil, eu que agradeço ter pessoas como você Cesar Benzoni, compartilhando conosco todo seu conhecimento, paixão e dedicação a esse estilo musical que nos identificamos tanto. Você é nosso parceiro aqui, sucesso.

Jair Castellazzi

 

Sobre Jair Castellazzi

Idealizador e administrador do blog Universo Country Brasil. Fã de country music e da popular música sertaneja. Produtor Artístico e Cultural.
3 Comments

Publicado por em 9 de julho de 2011 em Sem categoria

 

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3 respostas para Entrevistamos Cesar Benzoni ícone da nova geração country

  1. Marlon Bezerra

    11 de julho de 2011 at 09:47

    Grande Jair, sempre trazendo um conteúdo atraente para os amantes da country music, chic demais !

    Ao Cesinha, meu amigo de fé meu irmão camarada, muito sucesso, é um talento nato, sem sombra de dúvidas um dos responsáveis pelo sucesso da Blacksmith, fico muito feliz em saber que dia a dia seu trabalho ganha mais e mais reconhecimento, só os fortes sobrevivem man, parabéns ;-)

    Marlon Bezerra,

     
    • Jair Nunes

      11 de julho de 2011 at 09:47

      Estamos juntos parceiro Marlon, na luta em divulgar grandes artistas de nossa música brasileira como Cesar Benzoni, que assim como a gente lutam com amor por esse estilo musical (country music) que tanto amamos!!!

       

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